“Entende-se como atividades off-road aquelas realizadas fora de vias pavimentadas, em terrenos irregulares, como trilhas, estradas de terra e áreas naturais em veículos de tração animal, humana ou automotor.”
Quando falamos em modalidades off-road a pé, estamos falando da tração humana, ou seja, o corpo como o próprio veículo, sempre fora de vias pavimentadas, em contato direto com terrenos irregulares, trilhas e natureza.
Caminhada em trilhas (Hiking): percursos leves a moderados em áreas naturais, geralmente de curta duração.
Trekking: caminhadas de longa distância ou por vários dias, exigindo preparo físico e planejamento.
Trail Running: corrida em trilhas e montanhas, variando entre distâncias curtas até ultramaratonas.
Montanhismo: ascensão de montanhas, podendo envolver caminhadas, escaladas e travessias.
Escalada em Rocha / Boulder: práticas verticais, geralmente em paredões naturais ou blocos de pedra.
Caminhadas de peregrinação: percursos religiosos ou culturais em caminhos históricos (ex.: Caminho da Fé, Estrada Real, Caminho de Santiago).
Marchas ou travessias históricas: recriações culturais que refazem rotas de tropeiros, bandeirantes ou quilombolas.
👉 Todas essas modalidades mantêm a essência do off-road: superar obstáculos naturais, respeitar o terreno, vivenciar a cultura e explorar o ambiente fora do asfalto.
Minas Gerais tem papel fundamental na criação e consolidação das provas de regularidade no Brasil, sendo berço de diferentes modalidades que marcaram época e inspiraram esportes em todo o país.
A história começa no mundo das motos. Em 04 de abril de 1976, foi realizada em solo mineiro a 1ª Prova Todo Terreno, considerada a origem das competições de regularidade em duas rodas. Esse formato inovador se diferenciava das simples corridas de velocidade: a navegação e a constância eram os elementos centrais, equilibrando a disputa e permitindo que habilidade, estratégia e espírito de equipe fossem mais importantes que apenas a potência da máquina. Essa filosofia acabou se tornando a base de eventos consagrados, como o Enduro da Independência, e consolidou Minas como referência no motociclismo off-road.
Alguns anos depois, em 1986, Belo Horizonte sediou a primeira prova de rally a pé de regularidade do mundo, o Rally Bamba. O evento reuniu mais de 1.500 participantes e partiu da Praça do Papa, seguindo até Macacos (Nova Lima) e retornando no dia seguinte. A prova foi marcada pela navegação com planilhas e controles de tempo, comprovando que o conceito de regularidade não estava restrito às motos, mas podia ser adaptado a modalidades diversas, sempre preservando o equilíbrio e a inclusão entre os competidores. Documentos históricos do Rally Bamba — regulamento, cartaz e planilhas — foram preservados pelo competidor Cláudio Flor, da equipe Os Dinos, e atestam a importância desse marco esportivo.
Na década de 1990, foi a vez das bicicletas. Em Minas Gerais, surgiu o Raid BikeTech Cipó, um dos primeiros eventos de regularidade em duas rodas não motorizadas. Nele, ciclistas experimentaram a mesma emoção da navegação por planilhas, percorrendo trilhas desafiadoras da Serra do Cipó com a mesma lógica de equilíbrio entre tempo, resistência e estratégia.
Assim, Minas Gerais consolidou-se como berço de uma verdadeira cultura da regularidade: primeiro nas motos (1976), depois a pé (1986) e, em seguida, nas bicicletas (anos 1990). Esse pioneirismo não apenas revelou o potencial esportivo e cultural do estado, mas também demonstrou como a navegação e a regularidade proporcionam uma disputa justa e acessível a todos — seja sobre rodas, sobre trilhas ou a pé.
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